A lenda do Candiru. Será que é
lenda mesmo?
A região amazônica, com sua beleza exuberante, esconde
muitas lendas como a do “Boto Tucuxi”, a “Cobra
grande” e o “Candiru”.Mas será que todas
são somente lendas?
Eu posso afirmar para vocês, meus leitores que a última,
a do peixe Candiru, com sua capacidade de penetração
em orifícios do corpo humano é a mais pura realidade.
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É verdade que os médicos urologistas que atendem
em serviços de urgência estão acostumados
às causas mais freqüentes de sangramentos pela uretra
como pedras, infecções e até mesmo alguns
casos de corpos estranhos. Mas, sem dúvida, um peixe dentro
da uretra é incrível!
Eu atendi um paciente de 23 anos, do sexo masculino , que procurou
o serviço de urgência com extrema dificuldade para
urinar e sangramento pela uretra , com história de que
há 3 dias sofrera um ataque por um peixe da região
amazônica conhecido pelo nome de CANDIRÚ e que o
mesmo havia penetrado em sua uretra quando estava urinando dentro
do rio, referia que tentou segurá-lo, mas era muito liso
e parecia ser de pequeno tamanho. Quando o examinei, o paciente
apresentava-se descorado com febre , forte dor no pênis
,impossibilidade de urinar, sangramento pelo pênis e grande
inchaço de bolsa escrotal . O levei ao centro cirúrgico
, e , sob anestesia , realizei uma cistoscopia ( endoscopia da
uretra e bexiga ) para diagnóstico e documentação
do caso. Identificamos que o peixe era de grande tamanho ( 12
cm de comprimento por 1,5 de largura ) ocupando toda a uretra
e com a cabeça perto do esfíncter urinário
(o músculo que controla a urina ) e provavelmente, enquanto
vivo o peixe tentou penetrar em bolsa escrotal, explicando o importante
inchaço da mesma .
Tive muitas dúvidas em como retirar este peixe da uretra
devido a extrema delicadeza e seriedade do caso.
Pensei em abrir o períneo ( região entre a bolsa
escrotal e o ânus ) e retirá-lo por esta via, mas
o risco de infecção e de impotência seria
muito alto.
Foi então que após várias lavagens da uretra
e com equipamento endoscópico adequado e câmeras
para visualização dentro da uretra consegui retirá-lo,
após cerca de duas horas de cirurgia. O paciente permaneceu
internado com cuidados clínicos inerentes ao caso e , no
seguimento de um ano , não apresentou estreitamento da
uretra, impotência e /ou qualquer outra complicação.
Este peixe foi tombado na coleção ictiológica
do INPA ( 15590 ) e positivamente identificado como da ordem Siluriformes
; Família Trichomycteridae e Gênero Plectrochilus.
Provavelmente o ataque ocorrera por alguma substância na
urina humana que atraiu este peixe. De todas as formas este foi
o único testemunho documentado de ataque à uretra
masculina e aconselho a ninguém urinar dentro do rio sem
proteção (sunga ou biquíni).